Troca-troca

A fotografia analógica tem dessas coisas

Às vezes a gente fica naquela espera pra encontrar o “par perfeito”, o projeto milimetricamente projetado, o controle de todas as fotos, a luz que você quer, o ângulo, o objeto interessante, o orgulho do pós revelação… Mas no fim, acaba sendo o acaso — cliques corridos, espontâneos, tentando acabar logo o filme e ver no que vai dar porque a ansiedade vai bater!

Foi assim com essa brincadeira de “film swap” que eu fiz com a Alê Araújo. Encontrei a Alê por meio do seu blog, a segui no Instagram, interagi e decidimos fazer o projeto da troca de filmes. Eu carreguei um Ilford HP5 Plus, ISO 400 na minha Minolta X500 em junho de 2025 e parti começar a fazer as fotos.

No início você pensa em algumas coisas, pensa em fundos, temas… Eu já havia lido bastante sobre dicas de sobreposição de imagens em diversos blogs e canais no YouTube, mas quando de fato comecei a disparar, não pensei em nada disso. Foi tudo muito aleatório, intuitivo e divertido.

As minhas fotos foram feitas em um intervalo de 2 meses e, meu amigo Sam que esteve aqui em Portugal me visitando, ficou encarregado de levar o filme com ele e, de Sampa, despachar pra Brasília. Essa foi a forma mais segura de fazermos, porque os envios de qualquer mercadoria via Correios é um verdadeiro fiasco. Resolvi não arriscar.

No dia 20 de agosto a Alê recebeu o filme lá e foi fazendo as fotinhas dela, no seu ritmo. Desde o dia em que finalizei o filme do lado de cá, a minha ansiedade se foi, porque agora não dependia mais de mim e pra mim, não importava o tempo que fosse levar, eu ia “esquecer” (entre aspas muito fortes) dele até ver o resultado final.

E a gente esquece mesmo. O que é ótimo, e o que me faz amar mais ainda a fotografia analógica. Nada é imediato e o exercício da paciência e da surpresa, da sensação gostosa de rever e lembrar em qual ocasião você tirou a foto, da história (ou não-história) por traz… Isso não tem preço.

Pois bem. Eis que no dia 7 de abril de 2026 a Alê compartilha os scans das fotos comigo e, coincidentemente, era aniversário do nosso mensageiro, Sam. Eu estava comemorando internamente e, claro, felicíssima com os resultados!

Não podia ter tido parceira melhor — até porque a Alê já tinha experiência com a troca de filmes e eu não. Não combinamos absolutamente nada antes, apenas marquei o filme com um quadradinho desenhado no primeiro frame e fotografei. Despretensiosamente e verdadeiramente presente, passeando, olhando, disparando, imaginando e depois desapegando.

Aqui algumas das minhas fotos prediletas do rolo e que, possivelmente, uma ou duas sairão daqui para um quadro na parede.

Já estamos programando dois novos film swaps e, caso você tenha interesse em participar desse projeto comigo, só me contatar via e-mail ou Instagram.

Catarina F. Saraiva

© Intentional Grain, 2025

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